quarta-feira, 28 de março de 2018

guizo


não deviam maldizer a cobra
humilde rastejante senhora
que para comer, abraça
troca de pele e ensina:
tudo tem sua hora

deitada ela dorme e acorda 
se move na dança
se trança na transa
se treme, acasala

sua sincera sorte
soa sons sibilantes
supondo cena séria

sim, são seres sem saco
mas muito talento
pense num bicho
que carrega um instrumento

o guizo, gente
é o sorriso da serpente

terça-feira, 27 de março de 2018

crescer pra dentro


antes de me esticar, acendo o dia
coado e quente bebo o sol
onde um gole no raio me traz
de cada noite um dia igual

assim um peito novo
em sua sensatez
amadurece em si
quando da fruta se diz:
está de vez

esse sim é um sábio movimento
crescer pra dentro no outono
quando se bate mais vento