domingo, 13 de agosto de 2017

João Olemiro


um pigarro dele ficou em mim
e ainda faço-o quando quero enredar o nada
mesmo sem dor, solto um "ai" ao me agachar
e só durmo sem camiseta
sementes dele que em mim brotaram
me fizeram mais sagitário
livre e ligado
solto e apegado
quando ele pisou no meu pescoço, foi um erro
mas quando me disse:
"vai, meu filho
qualquer coisa, você volta
porque nós estamos aqui!"
minha asa rasgou a pele
e voei para casa

domingo, 23 de julho de 2017

ouro bruto


o bonito do relativo mora no impreciso
nos olhos que revelam e escondem o mútuo
abraços delatores de desejos não ditos
nem sempre se dão no mesmo minuto

tomo nota destes momentos curtos
quando penso isso e considero aquilo
sendo mais de mim mesmo muitos
no espelho do espelho de frente comigo

não saber é esse reflexo infinito
para mim relativo é isso:
o ouro mais bonito é o bruto

sexta-feira, 21 de julho de 2017

o ido


como num retorno do coma recordei poder tocar o céu
quando deito no mato com a barriga pra cima
esse é meu touch com o mundo

também veio lembrança de banhos de lua
cafés e suas coroas de fumaças
memória de vida dentro da vida
são horas que valeram viver
e valerão mais no presente dos presentes

lembrar é trazer pro agora aquela hora vivida
botar no já o gosto do ido