segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Certa vez, Santo Antônio.

          Certa vez numa dessas tardes de verão, pelo bairro do Santo Antônio, fui contemplado pela estimulante energia de uma conversa, digamos, com toda licença, de pai para filho. Nesta saudosa ocorrência uma importante dica ficou claramente estabelecida, tanto que desencadeia, entre diversos outros fatos, a reflexão desse texto.

          “Centrado! Tem que estar ligado ao seu centro. Ou buscando isso”. Naquele momento, a dica quase bateu como uma bronca e sabíamos os seus motivos - tão óbvios, que vergonha! Agora, ela remonta a visão mais ampla que temos e trazemos de outras experiências e chega a se tornar um antídoto para os próprios venenos que produzimos inconscientemente. Cada vez mais percebo que quando nos concentramos em nós, o Cosmo parece observar que estamos nos espelhando em algo interior e começa a conspirar a favor, mas como num sonho, caso essa concentração se disperse, tudo se desfaz tão simples como se fez. Nessa prática, o simples se faz tão completo que exige do camarada uma dose real de abstração. Tente esquecer o que a mente pede a toda hora, pois o que ela pede a toda hora, geralmente é o que nos desconcentra, e veja o que ocorre em pouco tempo depois (isso não é uma corrente, juro!). Aproveite esse tempo para focar o que em geral é esquecido: respiração, postura, audição, tom de voz etc. Embora nossa voraz criação nos force a se inquietar durante esse exercício, pode-se notar ao longo do tempo, que é particular de cada ser, uma diferença na percepção do que é ou não realmente agradável para a mente e corpo. Estar centrado é se encontrar livre de necessidades exteriores a ponto de ser exatamente tudo o que se necessita.

          Nesta vez, voltando do bairro do Santo Antônio, tive a impressão que todos os problemas do (meu) mundo são por simples falta de concentração.




PS. Com as costas travadas, fui numa massoterapeuta que após meia hora de concentração na região crítica do lombo, perguntou:

-E aí, como você está se sentindo?
-Bem melhor. Mais aliviado! - respondi

Ela então, com um olhar oscilando entre a sabedoria e o lucro emendou:

-É, não é porque aliviou que curou, né. Volte logo!

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