segunda-feira, 26 de setembro de 2011

M.U. (ou HISTÓRIA UFBAIANA)

“Não penses que eu estou reclamando, não. Estou só contando a verdade e contar a verdade não pode fazer mal a ninguém.” E a verdade é que o estudante sou eu; o estudioso és tu, mas o estudante sou eu.


Parafraseando Scliar, trago em séria brincadeira esta quase paródia para tentar introduzir a exposição de algumas inconvenientes verdades que, ora evitamos tratar sob o pretexto de compromisso com a formação pessoal, ora sequer percebemos chegando a agir de maneira supostamente equivocada e ingênua, entre outras posições e comportamentos acerca da educação superior no Brasil.

Verdades estas não-absolutas nem generalizadas.

O caso é que vem ocorrendo mobilizações entre os estudantes da rede pública superior e os seus congêneres em prol de diversas frentes de atuação que vão desde a cobrança de condições mínimas de funcionamento para uma Universidade Federal como manutenção de bebedouros e elevadores passando por questões básicas de estrutura dos cursos como mais professores para tantas turmas chegando até ao questionamento junto a reitoria sobre o repasse de verbas federais e aos atritos causados pela insatisfação da categoria com relação a legítima representatividade dos estudantes pela UNE (União Nacional dos Estudantes), órgão responsável por gerir a defesa e reivindicações dos estudantes de um modo geral.

Em séria brincadeira, afirmo que o estudante sou eu, sim!

Para não entrar em questões que precisam ser enredadas politicamente, ilustro com algumas insatisfações as seguintes e pequenas situações rotineiras estudantis: quem não consegue almoçar no local com preço acessível (apesar de ser o restaurante universitário mais caro do Brasil) designado para esse fim, sou eu. Quem sente a dificuldade de uma sala lotada com apenas um professor para uma aula de idioma, sou eu. E mais do que isso, o que de fato é mais importante, é que você estudante, também! Você e muitos outros que podem estar em situação ainda mais adversa que a sua. Denunciado por um estudante que está prestes a colar grau, “a UNE é que devia estar resolvendo problemas como esses...”

Por esses pequeninos exemplos que se faz necessário um alerta mais altruísta nesse processo universitário. É muito fácil – e perdoem-me, egoísta – cruzar os braços, agora que cada um tem sua vaguinha tão preciosa e “deixar a política resolver, porque é para isso que ela existe” como foi mencionado em sala de aula, pasmem, por um aluno.

Ora, se existe a necessidade dos estudantes/sociedade se mobilizarem é justamente porque a política não está sendo eficiente.

Ler o olhar de decepção de uma geração que lutou enquanto estudante e que hoje ocupa alguns cargos públicos, entre eles os de professores de universidades federais, causado pela apatia dos atuais estudantes é pessoalmente frustrante.

Não se nega que o Movimento Estudantil também seja usado como escola de políticos e que alguns de seus atores mal frequentam aulas e vivem praticamente em D.A.s e C.A.s. Não se nega também a ciência de que a UNE é sim atualmente “ponto de cultura”, “comprada pelo Lula” entre outra acusações, mas, socialmente, nosso papel é agir. Seja nas ruas, perdendo aula e debate importante em sala, seja na web sendo um “militante de teclado” ou no intervalo de uma aula para outra, nosso dever enquanto donos de uma vaga federal é atuar em prol de melhorias para essa vaga. Particularmente, isso é o que faz essa experiência universitária valer de fato.

Portanto não é desejo cheguevarista nem empolgação causada pelos gritos de militância. É pelo tanto que os estudantes brasileiros já fizeram e que nós, hoje também estudantes, devemos à sociedade.


           “Espero que recebas esta carta. É que estou escrevendo já do meio do rio – e é a primeira vez que mando uma carta numa garrafa jogada às águas. Mas espero que a recebas e que ela te encontre gozando saúde junto aos teus”, nessa carente, e também, linda cidade de Salvador.

2 comentários:

  1. Belo texto, cada vez melhor BR! E é verdade, é preciso se envolver, seja como for. A política não é algo que possamos delegar apenas aos políticos por profissão. Se o fizermos, estaremos lascados.

    Grande Abraço.

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  2. Hoho McGregor, hoho!

    É exatamente isso que penso. Bela explanação!

    aBRaço

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