terça-feira, 1 de maio de 2012

Flores


Eu gosto de flores.

Eu gosto de flores por onde ando, em meus chapéus e bolsos à altura do peito. As deusas existem, oras! Sempre que posso, carrego comigo uma dessas provas.

Flores são metáforas para a vida: efêmeras, carregam por suas curtas existências, a particularidade de suas belezas, essências. São, apenas.

Algumas são frágeis, mesmo com espinhos. Outras são venenosas, suculentas.

Por gostar de flores e por elas carregar grande zelo, busco aprender a arrancá-las. Ou melhor: colhê-las.

Descobri, por exemplo, que em seu caule, ao menos uma de suas folhas é necessária, para que por mais tempo, se mantenha a beleza dela. Sempre há flores que ainda não desenvolveram sua folha-parceira, ou seja, não estão prontas para o que minha mente deseja.

Flores são enigmas. Cada uma tem sua forma de ser linda e única. Quando ainda em botão, nem sempre sabemos qual a cor que vão nos dar, e também por isso são tão bem-vindas.

Não exigem mais do que nos presenteiam, entende? São altruístas.

Eu gosto de flores.

Eu gosto do que elas não dizem, mas carregam. Elas são o máximo que podem ser e nisto insistem, tantos forem os dias que os ventos as permitirem.

No meu quintal tem uma árvore que dá mais flores do que eu posso carregar. Nem mesmo com a ajuda de Charles, o beija-flor daqui da área, é possível dar conta da produção diária. Conhecida como hibisco, tendo em Minas Gerais o nome de Beijo e aqui na Bahia, ser chamada Graxa, a árvore daqui do quintal é generosa, farta. Fartura é de sua natureza.

E me sinto bem em dar outro rumo para elas, diferente daquele de varrê-las, ora secas, ora frescas. Talvez, elas é que me agradeçam por botá-las em minha cabeça.

Por isso que a limpeza que a árvore exige não é questionada, mas antes, refletida, sendo uma forma de troca.

Afinal, as flores ensinam: toda beleza, para ser contemplada, merece um esforço, uma prova.



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