segunda-feira, 3 de junho de 2013

Arrebentar a barcaça


Bater a nave. Lascar o casco. Tomar rasteira. Quem nunca? Hein?! 

Daquelas batidas de perder o controle do manche e inesperadamente ter de contar com a reativação das turbinas. Não é legal! Nem mesmo se for só uma raladinha de leve, dessas que seguimos rumo pós-turbulência.

Quem é da guerrilha sabe do que estou falando.

Não é fácil! Ninguém disse que seria.

Um onipresente professor amigo meu costuma utilizar a expressão "arrebentar a barcaça". Gosto dessa metáfora porque ela traduz diversos aspectos sobre nosso permanente tema. A guerrilha sabe: são ondas de dezenas de metros, afogamentos em águas salgadas, semanas à deriva, ressaca-monstra, vazio. 

Entre angoleiros, admitiríamos a rasteira, sorriríamos e "simbora!". Porém-contudo-entretanto, não a sofreríamos de novo...

E, veja, seguimos rumo, como diz a ladainha: "vento norte sopra forte / pano 'guenta' ventania". Como pode o marinheiro se queixar da força d'água? Ou do vento? E águas são como ventos: vêm e vão. Quem entra no mar, não sabe o que há. Talvez, seja esse o maior (des)encanto de navegar: não saber ao certo onde o vento vai dar...

Passado o susto na navegação, ficamos com os cuidados a serem tomados. Menos isso, mais daquilo, vai sentindo, vai dosando. Vai vivendo, na real! "Quem vem lá? Sou eu?".

O mar gosta de sorrisos, isso o acalma. Seu coração chora, mas para o mar, você deve sorrir! Você pode até escolher não voltar àquelas águas, mas ao avistá-las, sorria!

2 comentários:

  1. A coragem em seguir rumo
    em conluio com o não acobardamento na próxima oportunidade de girar o leme para "aquela" direção com toda força
    é que dá a pujança de textos como estes.

    Parabéns!

    E, na próxima, siga exatamente assim!

    Porque: "você pode até achar que saiu da guerrilha, mas a guerrilha nunca sai de você, morô?!"

    é-nois,
    m.

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    1. Parece que a força - do texto - vem da queda, do lidar com o (in)esperado.

      Gratidão... (com mãozinha hare-boa no peito, hehe)

      Na próxima, eu não pego aquele vento capixaba. Quero ares argentin@s!

      aBRaço

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